Caminhos

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Só mais desta vez
ela mandou em mim
escolhi o futuro
ela mudou meu presente
escolhi ficar
ela me deixou ausente
escolhi amar
ela me deu de repente
um balde d’agua
e um dormente

Não importa o meu traçado
Se em tristeza ou alegria
Menos ainda o meu cajado
Ou o que faço do meu caminho
Ela dita a toda hora
e não pensa como a gente
nem quer atrapalhar a
estória de um ente
Mas leva tudo que passa a sua frente

Eu, você ou qualquer um
só nos basta entender
que a vida é pra viver
não tem momento algum
mesmo querendo ganhar
é a Vida que nos faz caminhar
cheia de si e dona do mundo
mostra pra todos quem manda
se na reta vou dominando
na curva é ela quem ganha

O caminho já esta feito
meus olhos que não vêem
meus pés sentem o chão
só que as vezes já não tem
e voar é necessário
Alguém nos dá a mão
ou cair pra algum lugar
Alguém nos dá um chute
ou saimos do caminho
pra outro caminho navegar

É a vida que me leva
onde leva a natureza
mas também levo ela
pois assim como sou parte
no pouco que me cabe
peso pra um lado e ela sente
que ser humano, inteligente
é viver a vida no presente
e se ela não olha pra gente
eu caminho com ela contente!

- x -

A todos nós que de alguma forma temos que lidar com as surpresas da vida que nos tira o chão, nos tira o céu, nos tira o sono, mas continuamos optando por viver o melhor possível e fazer das nossas experiências verdadeiros ritos de passagem para seres humanos melhores.

Alexandre Bizinoto

Expectativas

Eu imagino
Nós devemos
Você é meu
Eles são outros

Quero um amor pra sempre
Quero um primeiro amor
Quero um doce de queijo
Somente um abraço e um beijo
Quero alguém que me queira
Quero querer um alguém
Quero viver eternamente
E hoje viver com você

Espero que um dia isso mude
Ou Espero nunca mudar
Espero o desejo e a vontade
Flutuando na noite estrelada
Espero o eternamente quente
Espero um colo pra me segurar
Espero o hoje e além, de longe
Eu o hoje no mesmo lugar

Desejo em você o que em mim eu vejo
Desejo você  meu complemento
Desejo seus olhos, boca e corpo
Seu pensamento correndo sem fim
Desejo carnoso, beijando seu corpo
Desejo beijando, seu corpo carnoso
Encruzilhando desejos e expectativas

Quero esperar o desejo completo
Desejo querer esperar o incerto
Espero querer desejar dos dois juntos
E nessa prisão de esperanças futuras
Esquecer o desejo do passado distante
De querer o presente amando e amante.

Lembranças da Turma da Massa

Eu já fui criança e era muito bom. Lá em Uberlândia, que é minha terra natal. Eu tinha amigos, irmãos, sobrinhos, família enfim… tinha esses três aí da foto comigo, a Lilian, o Júnior a Kátia e mais dois que fugiram da foto pois moravam em Belo turminhaHorizonte, a Rê e o Ró. Eram meus companheiros de aventuras. Por muitos anos éramos grudados como um só. Como irmãos que eu considero até hoje e sempre. Todas as brincadeiras, as artes, as tarefas de casa. Ëramos como irmãozinhos, apesar de serem meus sobrinhos e grandes amigos. Eramos uma turminha que não tinha internet, não tinha video-game, nem brinquedos eletrônicos, a TV demorou. Tinha um radinho de pilha. E tinha a Rê e o Ró que moravam longe e tínhamos que nos corresponder por cartas ou telefone aos domingos quando meu irmão, o pai deles, ligava pra falar com a família. Quando chegavam nas férias a festa ainda era maior, noites sem dormir conversando, era muito pouco tempo pra atualizar todo mundo de tudo que acontecia nas nossas vidas. No nosso cotidiano a gente brincava de fazer carros e túneis num amontoado de serragem que o papai usava pro fogão “inovador” dele. Sim, fogão a lenha adaptado para serragem. O meu velho era muito criativo. Serragem que a gente mesmo buscava por uma estradinha que levava a borda da civilização e a uma fábrica de carroceiras a um meio quilometro de casa. Várias viagens com um carrinho de pedreiro pra estocar tudo o que precisava e era todo santo dia. Mas a conseguencia é que tinhamos tudo o que precisávamos. Tampas viravam volante dos carros e latas já usadas a gente esquentava pra tirar o restinho da tinta pra pintar as coisas. tinha madeira que fazíamos pontes e túneis nos montes de serragem e areia. Tambores de óleo viravam grandes rodas pra gente se equilibrar e até lutar espadas de cabo de vassouras, um quintal que se misturava com a rua, criatividade e muita vontade de gastar energia. Todo dia era um dia diferente e maravilhoso. Pique esconde, queimada, buscar pitanga no mato, “tocar” pneu, roubar samambaias no brejo do “Seu” Alexandrino, andar de bicicleta. Até crescermos mais um pouco e fundamos o jornal da família, quem desse pessoal não se lembra de “o Tablóide”a? e anda conseguimos envolver todo mundo pra produzir artigos que vinham de cartas e datilografáramos numa maquina de escrever e depois tirávamos cópia pra mandar por carta pra todos de novo. Todo mundo lia e comentava. Era o nosso facebook da época. Não tinha fim de tanta coisa que tinha pra fazer até a gente crescer. Essa turminha ganhou um nome com o passar do tempo e se auto denominou “A Turminha da Massa”, porque foi quando começou a gíria “massa”, termo impontado de BH pela Rê e pelo Ró, e que a gente não conseguia parar de falar isso. Tudo era muito massa. E ver o Sítio do Pica-pau amarelo era rever a nossa própria realidade de sonhos e aventuras.
As vezes, quando chegamos na idade adulta, sentimos que já vivemos varias vidas e principalmente, quando a gente vê que já tá passando por ela, a nostalgia e a saudade dos tempos inocentes de infância se acentuam. Pra mim, em todas estas diferentes vidas eu tive a mesma infância, com os mesmos amigos/irmãos sobrinhos, essa infância que me construiu, que me protegeu e que me fez a pessoa que me transformei. Porque me veio tudo isso agora? Hoje é o aniversário de um membro ilustre que fez parte dessa turminha. Eu diria a mais participativa e ativista de todos e eu não poderia deixar de registrar com muito carinho essas lembranças e os meus parabéns à Lilian, Deus te acompanha e te protege, como vc cuida e protege quem vc ama. Um beijo no coração com muita saudades das crianças que fomos e das bagunças que fizemos. E orgulho da batalha individual de cada um e dos adultos que se transformaram. 

Com amor

Tio Alex

Quem é importante ou interessante?

 Li algo hoje, “Por onde andam as pessoas interessantes?”. A principio me compadeci do coitado, depois, uma pequena revolta e uma vontade de dar a minha opinião sobre o assunto. Já que ele deu a dele. E é dele, respeito isso. Mas preciso respeitar também os filtros que eu tenho ao ler algumas coisas, já que me propus a ler. Normalmente fico na minha cômoda posição de curtir ou não. Mas vejo esse assunto muitas vezes e vou tomar esse como um exemplo do meu ponto de vista. O texto pra mim é um tratado muito simplório e solitário de alguém que se acha. Me deu até preguiça mas achei que precisava escrever algo a respeito. Estamos no século da reclamação, nada presta. Ninguém presta. Tudo é falso, ninguém me ama. Por outro lado É isso, ninguém serve pra mim. Eu sou bom demais pra essas pessoas que me rodeiam. Não damos sequer tempo pra conhecer ninguém mais. Tudo tem que ser rápido, em 147 caracteres, se vc não é interessante, arrasto o dedilho pro lado esquerdo e … próximo. Tudo muito rápido, pratico, e sem o menor sentimento. Agora as pessoas interessantes é que sumiram. Como se ser interessante fosse a chave mestra pra um relacionamento. A solução de todos os problemas. Quantos casais feitos de pessoas interessantes não deram em lugar nenhum? E será que quem está nessa procura é uma pessoa igualmente interessante a ponto de despertar a vontade de outra de compartilhar a vida? Acho que não né? Vemos pessoas interessantes em vários lugares (apesar desse autor afirmar que desapareceram). Minha mãe e meu pai podem não ser consideradas pessoas interessantes como se procura hoje em dia, pra mim são. Mas no contexto do facebook, Twitter, e tudo mais do mundo moderno, eram pessoas simples e que foram até onde meu pai conseguiu viver. E ela, minha mãe, até hoje, a beira dos 90 anos, sente falta do velho. Será que se fosse uma pessoa interessante teriam vivido tanto tempo juntos e, principalmente, será que eu estaria aqui? Ser interessante deve ser como a beleza fatal de uma mulher, uma benção e um castigo, atraí pela beleza, mas exige que se esteja sempre arrazadoramente linda, senão aparece as estrias dela nalgum post e, olha que horror, ela não é tão bonita assim. O interessante também deve ter que ser sempre interessante. E principalmente não pode ter dor de barriga ou roncar. Senão lá se foi a sua magia. Eu conheço várias pessoas interessantes, homens e mulheres, isso não quer dizer relacionamento. Aliás, interessante é que desperta interesse, mas interesse em que? Interesse em amizade? em bater papo horas a fio? em ouvir um velho senhor no ônibus falar de suas histórias? Desperta o interesse que temos dentro de nós. Podemos imaginar então que se está tão difícil assim achar alguém interessante, será que não somos nós que estamos sem nenhum interesse pra ser despertado? só uma pergunta, mas pode ser? Não digo que devemos ficar com alguém desinteressante, mas devemos olhar pra dentro de nós e procurar e ver se ainda temos algum interesse a ser despertado. E depois procurar esse despertador aí fora. Quanto mais emoções, desejos a serem despertados tivermos maior será a possibilidade de encontrarmos. Mas aí tem outro detalhe, temos que procurar ou esperar encontrar nos lugares que eles pertencem. É dificil encontrar um anjo no inferno e vice-versa. O Autor foi feliz no final do texto declarando que o que lhe falta é Coração. “Socorro, alguém me dê um coração, que esse já não bate, nem apanha”. Concordo com ele. Achei inicialmente que o texto deveria se chamar, “Memórias de chato olhando pro próprio umbigo”, depois pensei melhor e entendo que é uma visão generalizada de endeusar ou demonizar o outro e nunca nós mesmos. Ele coloca bem que é ele que está no “limbo” e não os desinteressantes, então melhor seria “Reminiscências de um desinteressado”.

Namastê _/||\_

 http://entretodasascoisas.com.br/2014/08/06/por-onde-andam-as-pessoas-interessantes/

Arauto em todos os sentidos

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Meu mensageiro da paz,
Emissário de esperança,
Viajante dos velhos mundos,
Pregador dos novos tempos,
Não escondes quem és,
Não mascara a candura,
Não renega a inocência.
Portador da transcendencia.

Parte hoje silenciosamente
Em oração e sabiamente
Vida nova meu Arauto,
Desbrava seus caminhos
e neles nossos encontros.
Cante teu hino servil
e nos derrame de bênçãos
teu enorme amor juvenil.

Sobe depressa ao  monte e anuncia
Tão cedo uma grande aventura
que tua própria descoberta de alegria,
fascina, extasia, reflete a candura.
Será o amor em forma de gente,
Ou gente transformando em amor,
Será o orgulho,  tanto pecado
de ver tamanho legado?

Acompanho teus passos meu filho
Saúdo e Ilumino teu caminho.
Como que nos pede em oração.
Ilumina, filho meu, o meu também,
o consola esse coração saudoso.
Que  as lagrimas que enclausuro
Sejam libertadas, lavando a poeira do caminho
que reserva ao teu belo futuro.

Ao Enzo.
Vitória 29/06/2014

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INSOMNIA (Saramagueando de madrugada)

Sentiu-se pequeno naquela noite em particular. A muito não pensava em como tinha chegado ali. Mas foi de uma forma quase brusca, recebera de presente ou como um soco, suficiente incentivo pra que tudo voltasse a sua mente. Como tudo acontecera. Estranho. Com os olhos em chamas pela ausência do que todos chamam simplesmente sono, como se na homônima palavra italiana o fosse intrínseco e por isso parte de nós ou a si mesmo, deste homem, hoje, não era. Agora mais ainda os pensamentos se repetiam e desenhando as cenas na escuridão que lhe cobria os olhos, formava a reprise que os últimos dias filmaram. E sem tomar demais a paciência das palavras que ora, neste conto, se tornarão algumas vezes excessivas, dado a simplicidade do fato que representam à tentativa de explicar o sentimento e o momento passante, às vezes tão fácil, às vezes tão multiplicado por nuances que se torna, no mínimo, impossível de descrever. E por isso não se deva estar exatamente certo, exceto o mérito querer, pela prosa, expressar, e faze-lo, Pois para isso existem os poemas, para que, com palavras totalmente diversas ou diretamente combinadas, consigam expressar os sentimentos de uma forma tão mascarada ou absurda que em alguma parte do leitor, também absurda, talvez no inconsciente ou em outro lugar, seja lida claramente e entendida, mesmo sem o anuncio à razão. Mas voltando ao nosso infeliz amigo, que pelo tempo que o deixamos, já procura, como forma alternativa, pensar em outras coisas que não sua tragédia pessoal, se esforça por direcionar o pensamento para o seu momento e como sair dele, por assim dizer. Nada podia ser feito, estava prestes a ser engolido pela noite que tinha certeza que, contraditória ou não, na escuridão continuaria em claro. As imagens que seu cérebro lhe fornecia, nada mais eram que fotografias falantes do seu passado recente e não o estava ajudando em nada, visto que dali, o passado, retirando a linha do tempo que era a mesma, não tinha qualquer particular instrumento ou algo relacionado que o ajudasse a se levantar e continuar. Alias, pra que isso fosse feito precisaria que a vontade o trouxesse à vida e isso não ocorreria até que o tempo necessário para que a sua mente superasse o seu desejo de que a linha, que a pouco falamos, mudasse. Aqui caberia talvez mais um esquecimento do nosso pobre coitado, herói ou personagem, seja assim ou assado que cada um o queira chamar, a pergunta que o leitor possa se fazer sobre essa “linha do tempo” que vemos nas enciclopédias e que nada mais é que uma sequência absurda de acontecimentos tão diversamente encadeados, que dificilmente se pareceria como uma linha, mais como um rabisco disforme e histórias que se entrelaçam de tempos em tempos, formando uma história que também não conseguiríamos depois de um certo tempo, ou na mesma hora, saber se realmente cabe ser iniciada com o H, ou se as percepções que cada privilegiado que registrou, a ela, não juntou mais tantos fatos, realmente existentes, mas de outra história, somente em sua mente fértil de contos de outros lidos ou criados por si próprio. E antes de voltarmos para o nosso anfitrião, que nos deixa penetrar em sua memória, sugeriria então, como ele o faz neste momento que pensássemos também nós na nossa história, e verificarmos o quanto de ocorridos realmente se passou e o quanto foi criado simplesmente por que se esquecemos daquele verdadeiro momento e a nossa mente, como a de todos os humanos, rica em criação, tão delicadamente preencheu as lacunas para que se não se sentisse menos inteiro por falta de alguns capítulos ou trocado por uma passagem melhor pois daria maior tempero a percepção que temos da nossa própria vida, a nossa personalidade ou ainda gerados por uma percepção não nossa, pois todas o são, mas parcial do fato que vivemos. E nosso amigo que bem que gostaria de ter no lugar dos seus pensamentos uma lacuna para que pudesse preencher com algo mais agradável agora figura na sua clara escuridão, com consciência plena que no lugar de estar ali e com tudo que fora de sua responsabilidade sob as consequências das ações que tomara. Se pergunta como deveria seguir seu caminho. Como chegara até ali bem o sabia, não tinha segredo algum ao tomar suas decisões a cada respiração. Nada tinha de mais e aprendera com o nascimento a tomá-las bem e que a cada uma havia consequências, mesmo não conseguindo ainda com tanta frequência acerta-las no começo, tinha de fazê-las e de lá já havia aprimorado bastante sua técnica, como outras que não tivemos bem desenvolvidas ao sermos entregues pra esse mundo. Todas as suas ações o deveriam levar para um fim antes visto e planejado, de todas as previsões que tivera feito. Ainda agora, olhando para os lados, sem realmente ver o que o rodeava, fazia previsões. Sem realmente saber que o que o esperava na próxima curva, deveria traçar o seu caminho até o objetivo que tinha previsto para sí. Paramos por aí, então, novamente e atentamos na beleza da natureza do homem de colocar para si objetivos, que tanto podem ser alcançados, ou desviados para outros tantos, como numa sucessão de galhos que o leva constantemente para algum lugar. Ao focar sua meta no cume de uma grande montanha, separa-se ou esquece dos detalhes da subida, mas só depois de respeita-la e entender cada detalhe da sua escalada. Isto o faz não desanimar para o caminho, depois, a cada etapa compreendida, analisada, traçada e entendida, só o fato da chegada o reserva. E cada passo o faz mais perto, e a grandiosidade do empreendimento se disfarça em pequenas pegadas que são suficientes e do tamanho do caminhante. Nestes tempos, como pequenas corredeiras, ou quedas, ou pedras, ou florestas densas forçam o caminho, e os desvios acontecem, se entendemos fazer isto parte da caminhada, de forma natural é próprio o caminho e do caminhante, e o objetivo continua vivo a nossa frente. E no caminho do nosso amigo, retorno, possivelmente ele se encontrava agora, num daqueles desvios que o pega desprevenido no final da noite, um rio talvez, ou numa densa floresta e teve que parar, e os sussurros da natureza, para uns tão cheia de vida, lhe parece assustador. Sem a luz rebatendo nas formas que lhe eram conhecidas, mais ainda a sensação de estar submerso num turbilhão de fatos estranhos que lhe parecem a cada minuto que passa como um fantástico emaranhado de histórias de desconhecidos também assustadoras. Assim está o nosso companheiro de insônia, suspenso na escuridão, que o protege de não sair em disparada para algum lugar que não gostaria, preso pelos elos fortes da sua própria consciência que o interroga a cada minuto em busca das respostas que saberá não as encontrar, não da forma que aprendeu existir respostas: claras, certas, únicas. Gira em si mesmo, no útero úmido da floresta. Para voltar à criança recém nascida, ou antes ainda, falta o dedo na boca, falta a falta de perguntas, sobra vontade. E nosso amigo, que não está nem um pouco preocupado com os nossos questionamentos, mas com os seus próprios, tenta se dar conta de sua existência, dessa forma, com pequenos movimentos, ora levando as mãos invisíveis aos olhos e esfregando, como se assim limpasse da sua mente a escuridão, de outra se ajeitando com as mãos o lugar que se encontra a guisa de sentir o chão que o sustenta e tantas vezes, em outros momentos, o procurava como se sentir a firmeza da terra o tirasse um pouco do mundo das ilusões. Como uma forma de busca de um equilíbrio metafísico, para a sua necessidade de mergulhar no mundo das ideias, também o fosse de se prender ao solo da realidade. Vezes sem conta se perguntara, qual delas era mais etérea que a outra e o quanto seriam diferentes, dado que podemos considerar diferentes graus de realidade e a cada um, um ideal. Cada ação, se baseando na sua ideia de como deveria ser tomada, na sua ética, que muitas vezes se questiona a existência para alguns, o fato é que jamais conseguiria viver sem as duas coisas, e doía não conseguir ser mais um que o outro, como o apaixonado que deseja o objeto da sua paixão de forma tão avassaladora, que, se pudesse, estaria dentro pra não se separar jamais, que dói à ausência, ou seria o próprio, de tão desejoso que é de tê-lo. e nesse campo, as ilusões vão mais a solta que a própria razão, e entramos em um caminho tão diverso e curioso que deixaremos para uma outra noite o assunto. Outra noite em claro talvez. E voltamos mais uma vez nosso pensador, que se tivesse consciência das voltas que damos pra descrever o seu momento a muito já teria perdido a paciência com este que escreve, estaria já cansado e poderia muito bem e por mais de uma vez trazer para o assunto principal a atenção do redator. Sem tantas voltas quanto seria necessário um simples momento, quanto a retratar a sua multiplicidade de uma simples noite de insônia, ou alguns minutos que o fazedor cede lugar ao pensador e a sua escuridão busca, na falta de estímulos externos dentro de si mesmo, as respostas para o que eleva essa criatura verbo cujo nome é um continuum em si, particularmente especial, de ser humano. Do nosso amigo não sabemos futuro, como do nosso também não podemos dizer, senão especular, pensar e construir. Mas podemos especular em que ele se meteu, qual a sua história, como foi parar ali e porque o que os últimos acontecimentos o tenham modificado e o deixado deveras introspectivo, se é que foi realmente isso tudo que o tenha deixado assim. Sim, porque a vida não acontece só numa linha, como já percebemos no emaranhado de cada minuto, várias situações se formam em uma e conseguimos assimilar algumas delas, mas nem todas as que nos afetam são percebidas, e nem sabemos se nestas estão as mais importantes. Portanto, poderíamos inferir que um fato grandioso fizera acordar nosso personagem no meio da noite onde também poderia ter sido algo mais sutil como a necessidade fisiológica que todos temos de expelir de volta a terra os líquidos não utilizados pelo nosso corpo e com ele outros restos da nossa fisiologia. E nesse momento em alguns minutos poderia ser justamente o momento que o fotografamos. E como uma própria foto, sem futuro nem passado, só o retrato de um segundo, o passado, por enquanto ainda será um segredo dele, e já o fez bom uso ao revivê-lo e servir de inspiração. A nós cabe procurar nos nossos, e aproveitando a nossa própria escuridão, dela tirar o melhor proveito.

Vila Pedra Azul/ES

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Brincando de escritor tem disso, as vezes sonhamos com nossos heróis. Aqui uma brincadeira com o estilo complexo e emaranhado do Saramago, que eu tenho particular predileção. Escrevi a algum tempo atrás e como qualquer criação ficamos brincando e tentando melhorar até que resolvemos publicar do jeito que está mesmo.

Parte

Vai longe pedaço de mim

Parte pro mundo que te deseja inteira.

Arranca daqui parte do céu

que me clareia.

vai iluminar outros mundos de lá.

Deixa o mar que me escorre dos olhos

e parte minha pequenina.

Leva contigo também parte de mim,

A boa, se alguma tiver.

Deixa a saudade crescer

pra te ver de longe

conquistar o mundo

e voltar pra mim pequena princesa.

Que outrora só um parzinho de olhos curiosos,

Outrora só  uma boca lambona,

Outrora bracinhos suplicantes,

Hora pedindo carinho,

Hora chorando num canto,

Hora calada sorrindo,

Outrora querendo colinho,

Outrora só minha sonhando no ninho.

Agora o mundo te pede

A lembrança me deixa.

Agora já um pedaço inteiro de mim,

Sem mim.

Agora a boca despede,

Os bracinhos se afastam,

a lagrima verte,

o sorriso some,

a saudade reparte,

em antes e agora.

Veja o egoísmo é esse de um pai apaixonado,

mas é a vida que urge a realidade,

tú que um dia partiu dos meus sonhos pra mudar a minha

parte de novo, minha flor, meu tesouro, meu jasmim.

Reparte com o mundo a felicidade que você sempre trouxe pra mim.

 

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