Feito invisível

– Pai?!!!

– Mãe?!!!

Estou com medo.

Acho que ouvi alguma coisa no armário.

Deixa a luz acesa. Pai!

Fica comigo. Mãe!

Pai.

Ainda tenho medo da vida

Ela sempre surpreende

Sabendo que estão por perto, fica mais fácil enfrentá-la

Mãe,

Eu sei que as vezes não vou bem na escola,

mas com a sua paciencia,

Eu sei que vou melhorar

Sabe, pai, mãe…

Não vou dizer pra vocês, mas estou passando por mudanças

Meu corpo me parece completamente estranho,

Não consigo me reconhecer no pensamento

Pareço ter um vulcão dentro de mim e

de novo o medo da vida e dos meus deveres

Mas com vocês, mesmo não sabendo, eu me sinto protegido

Até que eu cresça um pouco mais

e o meu trabalho e os novos desafios de um mundo totalmente diferente

do que viveram me assombra também.

Cada dia um novo desafio, um amor, agora somos dois… somos três

Que loucura, alguém me chama de pai.

E eu tenho que ser forte e proteger em vez de ser protegido.

Ter coragem de abrir o armário, olhar debaixo da cama, ajudar nas tarefas

Ser chamado de pai, de mãe.

Isso dá um medo danado porque é tão novo.

Preciso de vocês pai, e mãe

Vejo nos jornais monstros e escuridão,

Preciso que deixem as luzes acesas e,

que eu sinta vocês aqui.

Pai, Mãe,

Não é só pra vocês que eu sempre serei pequenino

que existe, chora, sorri, sente medo e se angustia

E tira nota baixa e tropeça,

Levanta correndo sem pensar na dor, só no susto.

Quando somos o que  ninguém vê,

Guardado da gente num canto lá dentro.

Que quer um abraço, um afago, um carinho.

Bença pai, Bença mãe,

Vou fechar os meus olhos agora, por que sei que tenho vocês em algum lugar me protegendo.

 

e vou abri-los amanhã bem cedo pra me divertir e comemorar o meu dia

o dia de todos nós, de todas as idades que somos CRIANÇAS!

Pai!? Mãe?!… vocês estão ai?

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Oração de um pecador

Pai nosso que estais nos céus,

Protegei-nos dos nossos pecados

Ajuda-nos a não sujar nossa história

por nossa própria insensatez

Que tua luz de amor nos guie na retidão,

e teu trovão de justiça nos avise das emboscadas de nós mesmos.

E que os nossos caminhos sejam encontrados

e nossos corações acalmados,

Primeiro na terra depois no céu.

Dai-nos a capacidade de perdoarmos a nós mesmos

pra um dia buscar o perdão do próximo

e que as nossas ofensas do passado

sejam lembradas e transformadas em bem

E as dos outros, muralhas dos nossos limites

E nos afaste do caminho da inquietude,

dos injustos e egoístas,

que nos arranca toda a felicidade.

E que atraiamos todo o bem

para sempre

Amém.

_/\_

A minha “velhice”

Aos 13 de dezembro de 1967, depois de 9 irmãos, eu nasci. Um ratinho branco, como diz o meu mano. Cresci devagar e alheio aos fatos da vida, com a minha merecida fase de ser criança. Em algum momento entre 1975 e 76, com pouco mais de 8 anos eu tive uma revelação e uma noção do sentimento profundo da velhice. Não conhecia muitos “velhos” (também não tinha idéia da idade dos meus pais. Minha mãe me deu à luz quando ela já estava com 42 anos). Por algum assunto entre as crianças fui despertado para a velhice, ouvindo conversas de adultos, me chegou a estória do ou o mito do fim do mundo, que dizia que 2000 não passaria…fiz alguns cálculos. Descobri que no ano 2000 eu teria 33 anos. Pensei mais um bocado e concluí que faltava muito tempo ainda, várias vezes a intensa e longa vida que já havia vivido até ali e em tanto tempo assim já teria que ter aprendido tudo o que teria pra aprender. Já teria que ter tudo o que tivesse pra ter, porque com 33 anos já estaria velho e perto do fim. A velhice era o prólogo da morte. E 2000 era o fim.

Passados alguns dias, pouco tempo, não me lembro, a meninice e a vontade de brincar me fizeram esquecer desse horrível destino que me aguardava e segui minha infância. Depois disso, a vida continuou e perdi minha parceira e irmã, não para a velhice, mas para a maldade do homem. Depois veio o trabalho,  o casamento, as mudanças, e com tudo isso os problemas da vida que me desviavam daquela lembrança.

No dia 4 de março de 1995 veio ao mundo a minha primeira filha. E no dia seguinte se foi desde mundo minha referencia, uma das minhas grandes inspirações, meu segundo pai e irmão. Ai veio de novo a idéia da idade, da velhice, e da morte.

Passados alguns dias, pouco tempo, não me lembro, a meninice da minha filha, seu sorriso e a vontade de brincar com ela me fizeram esquecer desse horrível destino, que no meu pensamento de alguma forma ligava ainda ao ano 2000. 33 Anos. Meu Deus!. Mas como uma proteção para o meu ainda jovem pensamento que desesperado via o futuro chegando, algo brilhante do destino aconteceu. Em 98 e chegando em 2000. Meus dois filhos. E mais uma vez a meninice me salvou dos pensamentos fatais e passei não só ileso, mas como também esquecido de que passava o período dos meus pesadelos.

Passado o ano de 2000, que não acabou em fogo mas sim em dezenas de fraldas, mamadeiras e cantigas de ninar, também passaram os meus 33 anos de idade, depois os 35, cheguei aos 40, e depois aos 45 anos. Uau! Olhando pra trás parece que foi num piscar de olhos. Mas foi tanta coisa, que vida. Tanta gente que eu conheci, aprendi tanto de tantos assuntos, dos mais diversos que não saberia enumerar. Enfim, passou…

Hoje aos 13 de dezembro de 2016 eu faço 49. Estranhamente, à beira dos CINQUENTA anos, outro numero meio definitivo, pra não dizer definidor. Mas mais estranhamente ainda não  é a velhice que previ quando criança, a sina futura, ficara escondida no passado junto com a data fatídica dos anos 2000. Também ainda não sei tudo, nem conquistei tudo como imaginei. Talvez o saber e a conquista esteja ligada a falta de vontade de lutar mais. Não sei. Ou a minha capacidade de expandir o tudo seja similar a lei de Moore. Mas é inevitável o despertar, de tempos em tempos do pensamento para o futuro. Agora um futuro sem data. Sem sombras. Um futuro gostoso de não se esperar, mas aproveitar a jornada até ele. Um dia pode ser que chegue essa tal velhice. Por agora, sigo me agarrando as meninices que a minha alma usou desde sempre pra me proteger da idéia que cada ano que passa, ficamos mais próximos da morte, em vez de viver e celebrar a vida. Mais “velhos” no sentido da estagnação, da abdicação da felicidade, da espera. Liberto do fatídico ano 2000 não tenho mais preocupação de quando vai chegar ou pra onde vai essa sombra desconhecida.  Cada dia sigo aprendendo, ouvindo, sonhando, amando, dançando, subindo montes, congelando momentos, brincando de gente grande e as vezes de gente pequena. É essa bendita meninice que não me larga e a cada dia que passa me leva pra mais longe daquela tal “velhice”, que não me fala de fim, nem onde, nem porque, nem de como, mas de amor, de viver e amar cada dia como se fosse, não tristeza do ultimo, mas  a alegria do primeiro.

Amor e gratidão pela vida e pelos meus.

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Feliz dia de Santa Luzia. Dia de Santa Otília. Dia internacional do Forró (só podia). Dia do marinheiro. Dia nacional do deficiente visual. Dia do Oculista (?). Dia do Pedreiro. Dia de tanta gente. Dia de viver e ser feliz, como todos os outros dias do ano.

Vitória 13/12/2016

Minha Ãmada Eterna

Eu estou crescendo

De criança me transformo em adolescente

Não, espera! tem a pré-adolescencia antes

Momento que não sei bem se sou criança ou adolescente,

apesar de ter quase certeza que sou adulto.

Muitos desafios, escolhas, provas, provas e mais provas

A cada aniversário parece que as coisas vão se complicando

Vão amadurecendo

Vão levando um pouco da minha criancice

Trazendo um pouco mais de “adultice”

Ai, crescendo mais um pouco e já estou a beira da universidade

Sei menos ainda do mundo, apesar de achar que já chega de saber…

Mais estress, mais adultices que tenho que lidar

Namoro, dinheiro, trabalho, mais namoro, ou não

Que vida complexa, cada vez que penso que vai simplificar

e que a vida não tem mais jeito mais de se complicar

mais um desafio me acorda de manhã.

Isso é o que eu normalmente penso,

minha vida é uma luta constante.

ai mais, relacionamentos, Casamentos, filhos!

Adulto enfim,

Eu estou envelhecendo

Meus Deus quanta responsabilidade.

Mas em algum momento disso tudo,

as vezes cedo, as vezes tarde da noite, as vezes só quando não dá mais tempo

não sei onde arrumo essa força imensa

De levar o mundo nas costas

e eu ouço um suspiro mais forte,

não sei de onde vem,

uma lagrima ladina que escorre,

minha mente brilha e o coração dispara

um susurro ao meu ouvido quando pareço dormir

sinto um toque ou um abraço que me aconchega

um afago, um cheiro, um empurrãozinho

Não entendo porque eu tinha tanto medo

e você nenhum, mas

Porque só agora eu vejo?

não ouvi, não senti isso antes?

Não sei, mas de repente acontece e meus olhos se abrem

e o mundo não é mais o EU sozinho

nem meus desafios são só meus,

um manto cálido e suave me cobre

me protege do frio

me abraça nas minhas quedas

me levanta nas angustias

me sorri nos meus temores

me engrandece na minha pequenes

e eu, que as vezes me sinto que não tenho tanta importancia assim

diante de mundo tão gigante

recebo um muxoxo.

Me cobra um carinho, um alô, um beijo

eu sou necessário, eu sou importante

Mas então, eu te encontro, em algum momento qualquer

não tem um tempo certo pra mim

em que descubro essa outra realidade

que tomo consciencia dessa verdade

bebê, jovem ou velho,

Só que pra alguém o tempo é certo

e o momento foi

exatamente quando eu brotei de num sonho de dentro de ti

e isso foi bem antes de vir ao mundo

o momento foi sempre

e o tempo foi tudo

e o amor,

ah, esse amor que me deu vida

é tudo que eu sempre precisei pra ser quem sou.

E o desafio é mais,

e sei quem voce é

Agora eu entendo a minha força

Agora eu sei de onde vem,

Agora não tenho mais medo

Nem tremo ao futuro,

porque quando eu choro, tua força me renova e suga toda minha tristeza,

Que tirou da boca o pão, quando preciso foi, pra que eu não sentisse fome.

e nem deu bola quando eu ainda reclamava por querer algo mais gostoso.

Não a vejo chorando num canto pelas dificuldades,

pois até nisso me proteges

então meus olhos se abrem e eu consigo ver

o doce sorriso protetor que tenho de ti a qualquer distancia

tenho VOCÊ do meu lado, a distancia de um beijo,

ou, agora, dentro de mim, a distancia do sonho que me concebeu.

Obrigado, MÃE, porque sempre terei o que você me deu.

Obrigado MÃE, pela minha vida inteira!

Obrigado MÂE, por nós todos.

familia

Pedaços inteiros

Sou parte de tudo que me constroi
Partes esparramadas de sentimentos
Sou alimento, garfo, faca e boca
Ouroboros em forma de boi

Sou amor, sem querer, já querendo
Partes rejuntadas de teimosia
Sou o querer ser você, sendo eu
Murmúrios borbulhantes sem vento

Sou tudo que tenho e que tento
Repetição, esforço, reação e contentamento
Sou morrer vivendo no breu
Repetição, esforço, emoção e desvelamento

Sou suspiro ou pura aquarela
A mistura de ser gente e indecente
Sou a dor, sem sentir, já doendo
Anima, alma que esconde e revela

Sou alegria, lágrimas e você
A ilusão que se forma matéria
Sou belo, melódico e triste
Ou só a mistura de ser e não ser

Sou esperança que o fim já existe
Enquanto ainda dentro de um corpo pequeno
Sem contar tantas vezes,
emerjo como quem não resiste

Feliz inconsequente do que fui
Me espreguiço e volto a nascer;.

Alethea, veritas, emunah

Se sabe o cheiro da flor,IMG_6127
O ar da montanha,
O vento no rosto,
O sangue nas veias,
de resto é o nada,
sem gosto,
Nada de ver,
Nada de ouvir,
nada de tentar entender,
nada de ser ou não ser.
pouco real,
muita ignorância, sofrimento e dor.
Tantas línguas e significados
Tantas vezes desacreditada
tantos sonhos, tantas magoas
malfadadas falácias faladas
de uma ventania de vontades;
Digníssima iluminação
Quase nunca alcançada
Desde sempre incompreendida
para sempre procurada;
Viva em conceitos
mas acamada, ou
morta em realidade,
incompleta por natureza
e pela própria capacidade
da humana esperteza
que molda, malda, coça, raspa;
Sem vergonha ou pudor
sem critério ou rigor
mais que torta
e quase oculta
dormente
a verdade é demente
ou inexistente?
sofre, arrasta corrente
morre a mingua
morde a língua
morre no sonho
de quem nunca acordou.

Caminhos II

Caminhos II
Caminhos são longos mesmo
As vezes calmos
As vezes becos
As vezes breves
As vezes sem razão
Aparente
As vezes secos
As vezes dolosos
As vezes leves
As vezes sem nada
Aderente
As vezes duros
As vezes sujos
As vezes neve
As vezes nada
Atraente
As vezes loucos
As vezes roucos
As vezes falha
As vezes vibram
Abruptamente
As vezes vagos
As vezes pagos
As vezes devem
As vezes muito
Abrangentes
As vezes juntos
As vezes junhos
As vezes só
As vezes muito
Avidamente
As vezes descem
As vezes fervem
As vezes sobem
As vezes
Ah, os Caminhos são curtos mesmo
As vezes sempre
As vezes nunca
Assim são os pequenos
Ardis dos caminhos da gente